Como fazer amigos num intercâmbio de trabalho ou ano sabático no exterior
Você se inscreveu para passar meses num mesmo lugar, em vez de uma semaninha de fuga. Um intercâmbio de trabalho ou um ano sabático é longo o suficiente para que você queira de fato um círculo social, daqueles em que alguém sabe como foi a sua semana e te chama por mensagem para jantar. No lugar disso, você fica colecionando aqueles "oi" de albergue que não levam a nada, um nome que você já esqueceu de manhã, uma conversa boa no café da manhã com alguém que pega o voo ao meio-dia. Todo mundo é simpático e, mesmo assim, você consegue sentir que não conhece ninguém de verdade.
Viajar realmente te dá mais chances de conhecer gente do que a vida comum jamais deu. O difícil é fazer alguma coisa disso pegar quando as pessoas ao seu redor estão sempre a caminho de outro lugar. Este guia mostra o que torna um intercâmbio de trabalho socialmente estranho, como conhecer outros viajantes de um jeito que dure mais de uma semana, como incluir os moradores locais e como manter por perto as pessoas com quem você se identifica depois que todo mundo se espalha.
Por que um intercâmbio de trabalho é socialmente único
Uma viagem normal é curta o suficiente para que amizades de superfície sejam o bastante. Você conhece alguém para ver o pôr do sol, divide um dia bom e nunca esperou mais do que isso. Um intercâmbio de trabalho fica num meio-termo esquisito. É bem mais longo do que umas férias, então uma sequência de conhecidos de um dia só começa a parecer vazia lá pela terceira semana. Ao mesmo tempo, é mais passageiro do que se mudar de fato para algum lugar, porque ninguém ao seu redor está criando raízes também. As pessoas que parecem melhores amigas na terça pegam um ônibus na sexta.
Esse vaivém é a textura inteira da coisa. As pessoas chegam, cruzam com você por alguns dias ou algumas semanas, depois partem para o próximo país, e uma nova leva surge logo atrás. Além disso, a maioria de quem viaja trabalhando está de olho no dinheiro, então a vida social tende ao que for barato e compartilhado: a sala comum de um albergue, um cozinhar coletivo, um passeio a pé gratuito. Entender esse formato ajuda você a parar de levar para o lado pessoal os adeuses constantes. O vaivém faz parte do esquema e não tem nada a ver com você. Muita gente que viaja sozinha sente o lado silencioso disso, sobre o que falamos em solidão de quem viaja sozinho.
Conhecer outros viajantes sem que tudo evapore
Conhecer gente é a parte fácil de viajar. Albergues, casas compartilhadas e turmas de trabalho jogam você junto das mesmas caras dia após dia, e a proximidade faz boa parte do trabalho inicial por você. O truque é levar esses encontros para além do papo educado de abertura, para que a amizade tenha algo onde se firmar depois da primeira semana.
- Escolha lugares onde as pessoas ficam um tempo. Um albergue de festa perto do aeroporto renova os hóspedes todas as noites. Um lugar menor perto de onde você trabalha, ou uma casa compartilhada com quartos por mês, te dá os mesmos colegas de moradia por semanas. O contato repetido é o que transforma uma conversa em uma amizade, então escolha onde dormir pensando nisso.
- Aposte na turma do trabalho. Se você está colhendo fruta, tirando chope ou limpando quartos ao lado de outros viajantes, já tem aquilo que costuma faltar nas amizades adultas, que é um motivo para ver as mesmas pessoas todos os dias. Proponha algo fora do expediente: uma tarde de praia, um jantar coletivo, um bate e volta barato na sua folga.
- Vá um nível mais fundo do que a logística. Quase toda conversa entre viajantes começa com de onde você é e por onde já passou. As amizades nascem quando você sai desse roteiro. Pergunte por que a pessoa saiu de casa, atrás do que ela está, para que serve a viagem de verdade. Uma única conversa real vale mais do que dez rodadas de comparar rotas.
- Seja quem propõe o plano. Todo mundo num albergue está secretamente torcendo para que outra pessoa organize a noite. Seja essa pessoa. Lance a ideia de cozinhar juntos ou de dividir um táxi até a trilha, e o pessoal vai se juntar em volta com gratidão.
Nada disso é exclusivo dos intercâmbios de trabalho, mas pesa mais aqui porque a sua janela com cada pessoa é curta. Se você quer um conjunto de ferramentas mais amplo, o nosso guia sobre como fazer amigos no exterior e a nossa seleção dos melhores apps para conhecer gente viajando sozinho vão mais longe.
Criar laços com os moradores locais também
Os viajantes são a turma fácil, e um círculo feito só de outros mochileiros pode acabar parecendo uma bolha que flutua por cima do país sem nunca tocá-lo. Amigos locais costumam ser o que transforma uma estadia longa em algo que você lembra pelo resto da vida. Eles te mostram a comida que nenhum guia lista, te convidam para o que os turistas nunca veem e te dão um motivo para aprender mais do que cinco palavras do idioma.
Chegar até eles exige um pouco mais de intenção, já que os locais não estão sentados na sala comum do albergue à sua espera. Alguns caminhos que funcionam:
- Intercâmbios de idiomas. A maioria das cidades tem encontros regulares onde os locais que praticam o seu idioma trocam tempo com viajantes que praticam o deles. Os dois lados têm um motivo embutido para conversar, e quem aparece está ali justamente para conhecer estrangeiros.
- Eventos de comunidade e clubes. Um grupo de corrida, uma academia de escalada, uma igreja, um plantão de voluntariado, uma noite de quiz que se repete. Qualquer coisa com as mesmas pessoas toda semana deixa um local virar aos poucos um rosto conhecido e depois um amigo.
- Trabalhe ao lado dos locais. Se o seu trabalho te coloca perto de gente do país, e não só de outros viajantes, aposte nisso. Dizer sim ao drinque depois do expediente ou ao churrasco em família é como um colega vira alguém que você mantém por perto.
Atravessar a barreira do idioma é o que mais assusta a maioria das pessoas, e é mais viável do que parece. O nosso guia sobre como conversar com os locais ao viajar trata daquele desconforto inicial, e, se você está se instalando para o longo prazo, como fazer amigos sendo expatriado continua de onde a mentalidade de ano sabático para.
Manter contato depois que as pessoas seguem viagem
Aqui está a parte que dói em silêncio num intercâmbio de trabalho. Você conhece alguém incrível, divide duas semanas que parecem dois anos, e então a pessoa voa para o próximo país e os dois são engolidos por um grupo que morre em menos de um mês. O mesmo vaivém que facilitou conhecer gente é o que espalha todo mundo, e a maioria das amizades de viagem morre não por uma briga, e sim por afastamento aos poucos.
Os grupos de mensagens são onde essas amizades vão definhar. Uma conversa de reencontro com quarenta pessoas se acende por uma semana e depois ninguém posta mais. O que realmente sustenta uma amizade entre fronteiras e fusos horários é o eventual momento real de contato: um áudio sobre o seu dia, uma ligação rápida quando o wifi está bom, ouvir a pessoa rir em vez de ler um joinha. A voz carrega um calor que um grupo morto nunca terá. Escolha o punhado de pessoas com quem você de fato se identificou e dedique um pouco de esforço consciente a elas, em vez de tentar manter quarenta conhecidos aquecidos. Quando a saudade de casa aparece entre um adeus e outro, o nosso guia sobre como lidar com a saudade de casa vale ter sempre à mão.
Onde o Bubblic entra
Boa parte da solidão num intercâmbio de trabalho mora nas brechas: a primeira semana lenta antes de você conhecer alguém, o trecho silencioso depois que uma turma boa segue viagem, as noites em que o albergue está cheio de estranhos e você não aguenta mais uma rodada de papo furado. O Bubblic ajuda a preencher essas brechas conectando você por voz com pessoas reais que estão por ali para conversar, incluindo gente do país para onde você vai ou onde já mora. Você pode começar a conhecer pessoas antes de aterrissar e continuar nisso depois que chega.
A voz também é um jeito de baixo risco de praticar o idioma local antes de ter que usá-lo com um amigo novo pessoalmente. Algumas conversas tranquilas tiram o gelo, então, na primeira vez que você tentar com um local, parece menos um teste. Pense nisso como mais uma porta de entrada para o lugar, uma que não depende de quem por acaso fez o check-in no seu quarto nesta semana.
Os adeuses já vêm incluídos, mas as amizades não precisam sumir
Um intercâmbio de trabalho sempre vai envolver gente indo embora, porque é para isso que todo mundo está ali. O que você controla é como conhece essas pessoas e quais delas você segura. Escolha lugares com contato repetido, vá além do roteiro de de onde você é com viajantes e locais, e dedique esforço de verdade às poucas pessoas que importam depois que todo mundo se espalha. Faça isso e um ano de adeuses constantes ainda pode te deixar com amigos em três continentes.
Perguntas frequentes
Como fazer amigos se você está viajando sozinho?
Coloque-se onde as mesmas pessoas aparecem mais de uma vez. Albergues com espaços comuns, casas compartilhadas, turmas de trabalho, passeios a pé e intercâmbios de idiomas, todos criam o contato repetido que transforma um estranho em amigo. Depois, seja quem propõe o plano, já que a maioria de quem viaja sozinho está secretamente torcendo para que outra pessoa organize a noite. A outra metade é ir além do papo padrão de comparar rotas, rumo a uma conversa real sobre por que cada um de vocês está aqui fora, que é o que faz a amizade se firmar em vez de evaporar na manhã seguinte.
Como manter contato com os amigos depois de um intercâmbio de trabalho?
Escolha um punhado de pessoas com quem você de fato se identificou, em vez de tentar manter vivo um grupo de reencontro de quarenta pessoas, porque essas conversas enormes quase sempre morrem em menos de um mês. Para as poucas que importam, use contato real em vez de mensagens no grupo: um áudio sobre o seu dia, uma ligação rápida quando o wifi colabora, ouvir um ao outro rir através dos fusos horários. A voz carrega um calor que um grupo silencioso não tem, e um pouco de esforço consciente num número pequeno de amizades é o que as mantém vivas muito depois de os dois terem seguido caminho.
Devo fazer amizade com os locais ou com outros mochileiros?
Os dois, por motivos diferentes. Outros viajantes são fáceis de conhecer e de criar vínculo rápido, e entendem o ritmo da vida na estrada. Amigos locais exigem mais intenção para alcançar, mas costumam ser o que transforma uma estadia longa em algo inesquecível, te mostrando os lugares e os costumes que nenhum guia lista e te dando um motivo para aprender o idioma. Intercâmbios de idiomas, clubes de comunidade e dizer sim aos convites dos colegas de trabalho são caminhos confiáveis. Um círculo feito só de mochileiros pode começar a parecer uma bolha que nunca toca o país.
E se eu for tímido demais para conhecer gente num albergue?
Comece pequeno e deixe a estrutura fazer o trabalho pesado. Entrar numa atividade organizada do albergue, num passeio a pé ou num jantar em grupo significa que a parte social já está montada, então você pode aparecer sem ter que quebrar o gelo do zero. Uma pergunta simples, como perguntar por onde a pessoa já passou, costuma ser tudo o que basta, já que a maioria das pessoas num albergue está torcendo para que puxem conversa. Também ajuda ter algumas conversas de baixa pressão na bagagem antes, inclusive por voz num app, para que se abrir com um estranho pareça mais um hábito do que um salto.