Sentir-se Só Depois de Perder um Animal de Estimação

Uma cama de animal vazia com um brilho suave e uma figura solitária, a solidão depois de perder um animal de estimação

A casa fica em silêncio de uma forma que se sente no peito. Não há o toque das unhas no chão, nem o peso suave a instalar-se contra os seus pés ao fim da tarde, nem uma carinha à espera à porta quando chega a casa. Continua quase a chamar o nome dele, ou dá por si à escuta de um som que já não voltará. Perder um animal de estimação deixa um tipo particular de solidão e, se lhe cortou a respiração, não está a reagir de forma exagerada.

Os animais de estimação estão entretecidos no tecido simples de um dia de uma forma que raramente notamos até já não estarem cá. Marcam o ritmo das suas manhãs, são a razão por que sai à rua, são quem está sempre contente por o ver entrar. Quando essa presença desaparece, o silêncio que deixa não é apenas triste, é solitário, e a solidão tem a sua própria forma. Este texto é sobre o porquê de essa dor custar tanto, o porquê de as outras pessoas por vezes não perceberem quão real ela é, e como deixar entrar um pouco de companhia e de rotina quando se sentir preparado.

Porque é que perder um animal de estimação deixa uma solidão tão específica

Um animal de estimação é uma presença constante de uma forma que a maioria das pessoas na sua vida não é. Os amigos e a família vêm e vão, as chamadas terminam, as visitas acabam, mas o seu cão ou o seu gato estava simplesmente ali, na divisão, a cada hora de cada dia. Essa companhia firme e sem exigências torna-se parte de como se sente em casa no seu próprio espaço. Pode não ter percebido o quanto o seu sentimento de não estar só assentava num pequeno animal a dormir no canto até esse canto ficar vazio.

Há também a questão daquilo de que essa companhia era feita. Um animal de estimação dá-lhe afeto sem condições e sem uma história complicada para gerir. Ficava contente por o ver, quer o dia tivesse corrido bem ou mal, e pedia muito pouco em troca. Perder esse fluxo constante de calor deixa uma falha difícil de nomear, porque não era propriamente amizade nem propriamente família, mas preenchia uma necessidade real. Se já vive sozinho, essa falha pode parecer enorme, e a dor sobrepõe-se muito ao que as pessoas descrevem quando estão a Viver Sozinho e Só.

O silêncio que se segue: uma casa vazia e ninguém de quem cuidar

O luto por um animal de estimação envolve mais do que a ausência do animal. Vem também da súbita ausência de uma tarefa que fazia sem pensar. O passeio da manhã, as horas da comida, a tigela de água, os pequenos atos diários de cuidado desapareceram todos de uma vez, e esses atos seguravam discretamente o seu dia. Uma rotina construída em torno de outro ser vivo dá uma espinha às suas horas. Quando ela se desvanece, as manhãs ficam sem forma e as tardes tornam-se longas, e a solidão entra montada nesse vazio.

Cuidar de alguém, mesmo de um pequeno alguém, também lhe dá uma razão para continuar durante um período difícil. Levanta-se porque ele precisa de comer. Sai à rua porque ele precisa de um passeio. Retire isso e, de repente, não há ninguém que precise de si daquela forma imediata e física, e a casa pode parecer demasiado grande e demasiado parada. Isto é próximo do que muitas pessoas sentem quando uma casa se esvazia por outras razões, um silêncio que abordamos no texto sobre A Solidão do Ninho Vazio. O silêncio não é neutro. Pressiona-o.

Quando os outros a subestimam

Uma das partes mais difíceis é o quão diferente a perda pode ser tratada de fora. Alguém pode dizer que era "apenas um animal", ou perguntar uns dias depois se vai arranjar outro, como se o animal fosse uma coisa a substituir e não um companheiro que amava. Pode não ter direito a faltar ao trabalho por causa disso, e pode sentir que as pessoas esperam que volte ao normal depressa. Essa distância entre o quão profunda a perda lhe parece e o quão pequena parece aos outros pode tornar a solidão mais aguda, porque agora também está a fazer o luto sozinho.

Por isso, que fique dito com clareza: o luto por um animal de estimação é luto verdadeiro, e merece ser levado a sério. O laço era real, o amor diário era real, e o buraco que deixa é real. Não tem de o justificar nem de o medir contra outros tipos de perda. Se as pessoas à sua volta não o acompanham no ponto em que está, isso diz respeito aos limites da compreensão delas e não ao tamanho daquilo que perdeu. Encontrar até uma só pessoa que perceba pode aliviar muito, e há apoios mais práticos no nosso guia sobre Como Lidar com a Solidão.

Recuperar o contacto e a rotina com suavidade

Não há pressa nem um calendário correto aqui. Recuperar tem menos a ver com preencher o espaço depressa e mais com deixar entrar de novo um pequeno calor a um ritmo que seja suportável. Um primeiro passo suave é manter uma versão leve da antiga rotina. Faça o passeio que costumava fazer, mesmo sem uma trela na mão, porque o ar fresco e o movimento continuam a fazer-lhe bem e a parte vazia do dia era muitas vezes o próprio passeio.

Para além disso, algumas pequenas coisas costumam ajudar. Procure uma pessoa que compreenda, seja um amigo que perdeu um animal ou um grupo online de perda de animais onde as pessoas falam a mesma língua do luto. Deixe-se falar do seu animal pelo nome, já que recordar em voz alta faz parte de como a dor se suaviza com o tempo. Acrescente uma pequena âncora de contacto humano às partes do dia que parecem mais ocas, como uma chamada curta de manhã, quando a casa costumava ser mais movimentada. E quando se sentir preparado, e só então, pode pensar se mais companhia, humana ou animal, volta a ter um lugar na sua vida. Nada disto tem a ver com seguir em frente. Tem a ver com não ter de ficar no silêncio completamente sozinho.

Onde entra a Bubblic

Algumas das horas mais solitárias depois de perder um animal de estimação são as horas vulgares, a manhã que costumava começar com um passeio, a tarde que costumava ter um corpo quente ao seu lado. São esses os períodos em que a casa parece demasiado silenciosa e procurar quem quer que seja parece esforço a mais. É essa a lacuna para a qual a Bubblic foi construída. É uma aplicação de voz sem pressão que o liga a pessoas reais com quem conversar, sem perfil para aperfeiçoar e sem combinação para ganhar, e funciona entre fusos horários, por isso, mesmo a uma hora estranha, há alguém acordado que está disposto a uma conversa suave. Uma curta conversa de voz coloca um pouco de companhia humana numa casa silenciosa, e pode falar do seu animal ou de nada em particular. Às vezes, ouvir apenas outra voz basta para tornar o silêncio menos pesado.

A casa pode parecer menos vazia com o tempo

Se o silêncio desde que o seu animal morreu tem parecido mais solitário do que esperava, isso é uma medida do quanto ele fazia parte da sua vida quotidiana, e não um sinal de que está a fazer o luto de forma errada. A perda foi real e também o é a solidão que veio com ela. Não tem de preencher o silêncio tudo de uma vez. Mantenha um pouco da antiga rotina, deixe-se falar dele, e coloque um pequeno ponto de contacto humano nas horas que parecem mais ocas. A casa não vai parecer assim tão vazia para sempre, e não tem de ficar no silêncio sozinho enquanto ele se levanta devagar.

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FAQ

É normal sentir-me tão só depois de um animal morrer?

Sim, e é muito mais comum do que as pessoas deixam transparecer. Um animal de estimação é uma presença constante e descomplicada na sua casa, por isso perder um retira uma verdadeira fonte de companhia de cada hora do seu dia. A solidão não é um exagero. Reflete o quão entretecido na sua vida diária o animal estava, desde a rotina da manhã até às tardes calmas. Se vive sozinho, a falha pode parecer ainda maior. Sentir-se profundamente só depois de um animal morrer é uma resposta normal a uma perda genuína, e tende a aliviar devagar à medida que deixa entrar de novo um pouco de companhia.

Quanto tempo dura o luto por um animal?

Não há um relógio certo, e varia muito de pessoa para pessoa. Algumas pessoas sentem a parte mais aguda aliviar dentro de poucas semanas, enquanto para outras ondas de luto vêm e vão durante muitos meses, muitas vezes desencadeadas pelas horas vazias do dia que o animal costumava preencher. Essa variação é normal. O que costuma acontecer não é que a tristeza desapareça, mas que se torne mais suave e apareça com menos frequência. Se o luto continuar pesado ao ponto de o impedir de comer, dormir ou funcionar durante um longo período, vale a pena falar com um médico ou um terapeuta de luto para ter apoio.

Como se lida com a casa vazia depois de um animal morrer?

Comece por manter uma versão leve da rotina que dava forma ao seu dia. Faça o passeio que costumava fazer, mantenha as manhãs em movimento e saia à rua ainda que por pouco tempo para que a casa não seja a totalidade do seu dia. Deixe-se falar do seu animal pelo nome com pessoas que compreendam, já que recordar em voz alta ajuda a dor a assentar. Acrescentar um pequeno ponto de contacto humano às horas mais silenciosas, como uma chamada curta ou uma conversa de voz, pode tornar a quietude menos pesada. Vá ao seu próprio ritmo e não force o silêncio a preencher-se de um dia para o outro.

Quando é que se deve considerar arranjar outro animal?

Quando lhe parecer certo a si, e não porque outra pessoa o está a empurrar nesse sentido. Não há regra que diga que um certo número de semanas ou meses o torna apropriado. Algumas pessoas descobrem que acolher um novo animal as ajuda a sarar, enquanto outras precisam primeiro de um longo período de tempo, e ambos os caminhos são válidos. Um sinal útil é quando consegue pensar num novo animal com uma sensação de abertura e não como uma forma de disfarçar a perda. Um novo animal é a sua própria relação, não uma substituição, por isso deixe a decisão vir da prontidão e não da pressão.

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