Como Fazer Amizades com Outras Mães Quando Você Tem um Recém-Nascido
Existe uma solidão estranha que pode se instalar logo depois que um bebê chega. Você nunca está de fato sozinha, já que tem uma pessoinha grudada em você na maior parte das horas do dia, e ainda assim consegue passar uma semana inteira sem uma conversa de verdade com outro adulto. Os amigos que você tinha antes estão no trabalho ou levando vidas que já não combinam com a sua. As pessoas que entenderiam exatamente o que você está passando, outras mães na mesma fase, estão por aí em algum lugar, mas encontrá-las parece mais uma tarefa impossível num dia em que conseguir se vestir já conta como vitória.
Se é aí que você está, saiba que está em ótima companhia, e isso tem mais conserto do que parece às 3 da manhã. Este guia passa por que a fase do recém-nascido é tão isolante, onde de fato conhecer outras mães novas, e como transformar um simples oi numa amizade que sobrevive ao caos das sonecas que nunca batem certinho.
Por que a fase do recém-nascido é tão isolante
Os meses do recém-nascido empilham algumas coisas ao mesmo tempo que jogam contra a conexão. A perda de sono é a maior delas. Quando você está funcionando com noites picadas, a sua paciência para conversa fiada, a sua memória para combinar planos e a sua energia para sair de casa encolhem todas juntas. Procurar qualquer pessoa pode parecer mais do que você tem para dar.
Depois vem a falta de rotina. Um recém-nascido não funciona num horário em torno do qual você possa se planejar, então se comprometer com qualquer coisa, até um café numa hora marcada, parece uma promessa que você talvez tenha de quebrar. Some a logística pura de sair de casa com um bebê, a bolsa, as mamadas, o vazamento inesperado da fralda no estacionamento, e um simples passeio vira uma expedição. Nada disso significa que você está fazendo errado. É a realidade comum e exaustiva de cuidar de um ser humano bem pequeno, e ela remove em silêncio o contato fácil que antes te fazia sentir parte do mundo. Se a solidão está bem profunda agora, o nosso texto sobre se sentir sozinho como mãe ou pai de primeira viagem acompanha esse sentimento com mais detalhe.
Onde conhecer outras mães
A parte boa da fase do recém-nascido é que existem mais lugares dedicados a conhecer outras mães do que em quase qualquer outro momento da vida. O segredo é ir aonde as mães na sua exata fase já se reúnem. Alguns lugares que costumam funcionar:
- Aulinhas para bebês. Grupos de música para recém-nascidos, shantala, sessões sensoriais e yoga pós-parto colocam você numa sala com pais cujos bebês têm semanas de diferença do seu. Os bebês estão ali mais como desculpa. O valor de verdade está em ver os mesmos rostos aparecendo semana após semana, que é assim que a familiaridade vira amizade.
- Grupos do bairro e de pais e mães. Horas do conto na biblioteca local, atividades abertas em centros comunitários e grupos de bebês promovidos pela prefeitura costumam ser gratuitos e de baixa pressão. Por serem perto de casa, fica mais fácil se arrastar até lá num dia difícil, e as outras mães de lá moram perto de você, o que torna os encontros futuros muito mais simples.
- Comunidades online. Grupos por data prevista e por mês de nascimento em fóruns e redes sociais de maternidade te conectam com mães cujos bebês têm a mesma idade até pela semana. Eles estão abertos às 3 da manhã, quando você está amamentando e bem acordada, que é justamente quando o mundo presencial está fechado.
- Apps para conhecer mães. Existe um punhado de apps feitos especificamente para juntar pais e mães da região em busca de amizade. Eles tiram parte do constrangimento do primeiro passo, já que todo mundo ali já admitiu que está procurando a mesma coisa.
Você não precisa fazer tudo isso. Escolha um que combine com a sua energia desta semana e deixe que isso baste.
Transformando um encontro em amizade
Conhecer outra mãe é a parte fácil. O mais difícil é atravessar a distância entre um papo simpático na aulinha do bebê e alguém para quem você de fato ligaria. O que costuma ficar no caminho é a logística, já que as sonecas raramente coincidem e as horas livres são escassas, então uma amizade de verdade precisa ser construída em passinhos pequenos e propositais.
O mais útil de todos é trocar números cedo, antes que você se convença a não fazer isso. Um simples "a gente devia se falar, qual é o seu número?" no fim de uma aula é normal e bem-vindo. Quase toda mãe de primeira viagem está torcendo para que outra pessoa diga isso primeiro. Quando você tiver o número, abaixe a régua do que conta como manter contato. Você não precisa planejar um passeio inteiro. Uma mensagem dizendo "você vai ao grupo de música amanhã?" ou uma foto do seu bebê fazendo algo ridículo mantém a linha aquecida sem pedir que nenhuma das duas saia de casa.
Quando você for tentar se encontrar, monte o plano em torno de coisas que você já está fazendo. Uma caminhada com os dois carrinhos, um café que você ia pegar de qualquer jeito, sentar na sala de uma de vocês enquanto os bebês cochilam nas cadeirinhas. Conexão sobreposta a uma tarefa que já existe é o único tipo que sobrevive com confiança a esta fase. E se um plano desmoronar porque o bebê de alguém está num dia difícil, fale com clareza e remarque sem maratonas de desculpas. As mães que viram amigas de verdade são as que entendem que cancelamentos não são pessoais neste momento.
Amizade que cabe com um recém-nascido
A amizade nos meses do recém-nascido é diferente das amizades que você tinha antes, e tudo bem. O modelo antigo de jantares longos e planos de fim de semana não cabe numa vida medida em mamadas e sonecas. O que funciona no lugar é conexão quebrada em pedacinhos bem pequenos.
Uma ligação de cinco minutos enquanto você dá uma volta no quarteirão com o bebê já vale. Um áudio gravado com uma mão só durante a mamada, enviado para ser respondido quando a outra pessoa tiver um instante livre, também vale. Os áudios em especial são um presentinho silencioso para mães de primeira viagem, já que permitem ter algo perto de uma conversa de verdade sem que as duas precisem estar livres na mesma hora impossível. Mantenha as expectativas gentis. Em algumas semanas vocês vão se mandar mensagem todo dia, em outras as duas vão sumir no modo de sobrevivência e reaparecer depois como se nenhum tempo tivesse passado. Uma amizade que dá espaço para isso é uma que vai de fato durar nesta fase, e muitos dos princípios do nosso texto sobre fazer amigos na vida adulta e ser um amigo melhor se aplicam direitinho por aqui.
Onde o Bubblic entra
Algumas das horas mais solitárias da maternidade recente acontecem quando ninguém mais está acordado. A mamada da madrugada, aquele trecho do começo da manhã em que o resto da casa dorme e você fica encarando a parede, a tarde longa em que você percebe que não disse uma frase a outro adulto o dia inteiro. Esses são os momentos em que você mais quer uma conversa de verdade e tem menos condição de organizar uma.
É essa a lacuna para a qual o Bubblic foi feito. Ele te conecta por voz com pessoas reais que estão por ali para conversar, então você pode ter uma conversa genuína e humana nos poucos minutos que tem, mesmo durante uma mamada às 3 da manhã. Não tem nada para organizar nem plano para cumprir. Você só conversa com outro adulto por um tempinho, que é justamente o tipo de contato pequeno e de baixa pressão para o qual a rotina de um recém-nascido deixa espaço. Ele não vai substituir as amigas mães que você faz na aulinha do bebê, e é uma fonte constante de companhia nos dias e nas noites em que o mundo presencial está fora de alcance.
Você está indo melhor do que imagina
A fase do recém-nascido é curta, mesmo quando parece não ter fim, e as mães que você conhece nela podem virar as pessoas que te carregam pelos anos seguintes. Comece com uma aula, troque um número, mande um áudio, e deixe o resto se construir devagar.
Perguntas frequentes
Como faço amizade com outras mães se sou tímida?
Apoie-se em ambientes que fazem o trabalho social por você. Aulinhas para bebês e grupos abertos regulares fazem você ver os mesmos rostos semana após semana, então a conexão cresce da familiaridade em vez de exigir que você seja extrovertida. Você não precisa de uma frase de efeito. Um comentário simples sobre os bebês, ou perguntar a idade do bebê da outra, já basta, e a maioria das outras mães ali está tão nervosa e tão esperançosa quanto você de que alguém fale primeiro. Voltar ao mesmo grupo repetidas vezes faz mais do que qualquer apresentação corajosa isolada.
E se eu não tiver nada em comum com outras mães além do bebê?
Na fase do recém-nascido o bebê já é mais do que suficiente como ponto em comum para começar. Vocês duas estão vivendo as mesmas noites picadas, as mesmas dúvidas sobre amamentação, as mesmas oscilações intensas de amor e cansaço, e dividir isso já é um vínculo real por si só. Algumas dessas conhecidas mães vão continuar amigas de maternidade, o que tem valor em si, e algumas vão acabar tendo mais coisas em comum quando você tiver energia para descobrir. Você não precisa avaliar compatibilidade para a vida inteira agora. Comece pela fase compartilhada e deixe o resto se revelar.
Como faço amizade com outras mães sendo mãe que trabalha em vez de mãe que fica em casa?
Durante a licença-maternidade você tem o mesmo acesso às aulinhas e grupos de bebês dos dias de semana que qualquer outra pessoa, então use essa janela para construir algumas conexões. Quando voltar ao trabalho, grupos de bebês no fim de semana, comunidades online à noite e áudios rápidos no trajeto mantêm essas amizades vivas sem precisar das horas de dia útil. Procure especificamente outras mães que trabalham, já que elas entendem o aperto no seu tempo e não vão esperar encontros longos no meio da semana. Contato curto e frequente importa mais do que grandes planos que nenhuma das duas consegue cumprir.
É normal me sentir sozinha com um recém-nascido?
Sim, e é uma das partes mais comuns e menos comentadas do começo da maternidade. Você está cercada pelas necessidades de um bebê o dia inteiro e ao mesmo tempo carente de conversa adulta, as suas rotinas antigas sumiram, e sair de casa é difícil, o que junto deixa o isolamento quase embutido. Se sentir sozinha não significa que você ama menos o seu bebê ou que há algo errado com você. Se a sensação ruim estiver pesada, persistente ou vier acompanhada de desânimo, vale conversar com o seu médico ou com a equipe de saúde, já que a depressão pós-parto é comum e muito tratável.