A Solidão de Ser Pai ou Mãe em Casa: Rodeado mas Sozinho

Um pai ou mãe segurando uma criança pequena e olhando pela janela, sozinho, a solidão de quem fica em casa com os filhos

Nunca está realmente sozinho. Há uma pessoa pequena agarrada à sua perna, ou a dormir a sesta no quarto ao lado, ou a contar-lhe pela quarta vez hoje o enredo inteiro de um desenho animado. Tem as mãos ocupadas desde o momento em que acorda. E, ainda assim, algures a meio da tarde, normalmente naquela altura em que a luz fica sem cor e ainda faltam horas para o jantar, instala-se uma sensação estranha: sente-se só. Profunda e silenciosamente só, dentro de uma casa que não esteve vazia o dia todo.

Esta é uma das verdades esquisitas de ficar em casa com crianças pequenas. Ser constantemente necessário não é a mesma coisa que estar ligado a alguém, e um dia cheio de companhia pode continuar a deixá-lo com fome do tipo de conversa que o trata como uma pessoa inteira. Se já sentiu isto e depois sentiu culpa por senti-lo, está na companhia mais comum que existe. Este texto fala de porque acontece esta solidão, de porque a culpa vem junto e de algumas formas fáceis de trazer de volta alguma ligação adulta para um dia que não tem muito espaço a sobrar.

O paradoxo de estar rodeado mas sozinho

A solidão de cuidar de crianças pequenas a tempo inteiro confunde quem nunca a viveu. Como é que se pode estar só quando se está com alguém em cada minuto acordado? Mas a companhia de uma criança pequena, por muito que a adore, não mata aquela vontade que a companhia adulta mata. Uma criança de dois anos não consegue perguntar-lhe como foi o seu dia e querer saber de verdade. Não consegue acompanhar um pensamento que está a meio de formular em voz alta, nem rir consigo de algo absurdo, nem reparar que hoje parece um pouco em baixo. A conversa vai só num sentido e fica sempre ao nível dela: lanches, desenhos animados, o copo da cor errada, a tragédia de uma bolacha partida.

Por isso, tem a exigência constante de estar com outro ser humano, sem a reciprocidade que faz com que estar com outro ser humano pareça menos solitário. É um tipo específico de isolamento, daqueles que se sentem no meio de uma multidão e não numa sala vazia. O corpo está ocupado, a atenção já está prometida, e a parte de si que quer ser vista e respondida fica a passar fome. Isto sobrepõe-se bastante ao que muita gente atravessa na fase inicial, que abordamos no nosso texto sobre a solidão de ser pai ou mãe pela primeira vez, embora ficar em casa possa esticar essa sensação ao longo de anos em vez de meses.

Porque acontece esta solidão

Depois de lhe dar um nome, as causas não têm mistério. Se vinha de um emprego, deixou para trás todo um ecossistema de contacto adulto casual sem se dar bem conta de quanto da sua vida social ele alimentava em silêncio. Colegas com quem resmungar, a conversa de circunstância junto à máquina do café, alguém ao lado à hora de almoço, o zumbido de fundo de outros adultos a viver um dia normal. Tudo isso desaparece na primeira manhã em que fica em casa, e nada chega automaticamente para o substituir.

Depois, a própria conversa encolhe. Passe horas suficientes a falar apenas em frases curtas e simples com uma criança pequena e sente as suas próprias palavras a ficarem mais pequenas, os pensamentos menos treinados para chegar a algo complexo. Quando finalmente há outro adulto disponível, já está quase sem prática para isso. Há também a mudança de identidade por baixo de tudo: um papel que passou anos a construir trocado por outro que o mundo tende a desvalorizar como se não fosse bem trabalho, embora seja implacável. E a forma dos dias não ajuda. O seu companheiro sai de manhã e volta esgotado, as horas fundem-se num único ciclo interminável de dar de comer, arrumar, acalmar e recomeçar, e pode chegar à hora de deitar sem ter falado com nenhum adulto além daquele com quem vive, brevemente, sobre um jantar já frio.

A culpa de sentir-se só

Aqui está a parte que torna tudo mais pesado do que precisa de ser. Muitos pais e mães que ficam em casa sentem-se sós e depois sentem logo culpa por isso, porque escolheram isto, ou lutaram por isto, ou sabem muito bem que imensa gente daria tudo para poder estar em casa com os filhos. Por isso, a solidão vem com uma segunda voz a dizer-lhe que não tem direito a ela, que devia estar grato, que admitir que se sente isolado é de algum modo uma queixa contra os próprios filhos. Essa voz mantém muita gente calada, que é exatamente o que aprofunda a solidão logo à partida.

Vale a pena dizê-lo com clareza: pode amar os seus filhos sem medida, ficar feliz por ser você quem está em casa, e ainda assim sentir-se só por falta de companhia adulta. Essas coisas convivem lado a lado sem se anularem uma à outra. Querer uma conversa que seja sobre outra coisa que não horários de sesta não faz de si um ingrato, e não diz nada sobre o quanto ama a sua família. O que reflete é uma necessidade humana normal de ligação que calhou ficar espremida para fora do seu dia. Dar-lhe um nome é o primeiro passo para recuperar um pouco dela, e não existe nenhuma dívida de gratidão que o obrigue a passar sem ela.

Trazer de volta a ligação adulta para o dia

Nada do que se segue lhe pede para dar a volta à sua vida ou encontrar horas que não tem. O objetivo é pequeno: enfiar de novo um pouco de contacto adulto ao longo de dias que ficaram esvaziados dele. Uma das vitórias mais fáceis é um passeio com outro pai ou mãe. Crianças no carrinho, sem ter de receber ninguém, sem casa para arrumar antes, e de repente está a falar com um adulto enquanto as crianças estão contidas e distraídas. Se ainda está a perceber como conhecer esses pais e mães, temos guias à parte sobre como fazer amigos sendo mãe que fica em casa e como fazer amigos sendo pai que fica em casa, já que os pontos de partida podem ser um pouco diferentes.

Uma chamada marcada também ajuda, daquelas que se repetem no mesmo dia todas as semanas para que ninguém tenha de a combinar. As mensagens de voz são suaves para uma agenda imprevisível: grava um pensamento desconexo enquanto empurra o baloiço, o seu amigo responde horas depois quando o filho dele finalmente adormece, e o vai e vem continua sem que nenhum dos dois precise de estar livre no mesmo segundo. Os grupos online para pais mantêm um leve zumbido de companhia adulta ao longo do dia, e conversas de voz curtas encaixam no bocadinho de sossego que uma sesta abre. Se o isolamento já parece ter criado raízes, o nosso guia mais abrangente sobre como lidar com a solidão vai mais além do que só os anos de criar filhos.

Uma nota carinhosa, porque é importante. A solidão comum de quem fica em casa é real, mas é diferente do esgotamento ou de uma perturbação de humor no pós-parto, e essas precisam de mais do que uma boa conversa. Se a maioria dos dias parece sem cor ou sem esperança, se já não consegue gostar das coisas de que gostava, se se sente distante dos seus filhos, se atravessar o dia parece estar acima das suas forças, por favor trate isso como um motivo para falar com o seu médico e não como algo para aguentar sozinho. Nos Estados Unidos pode ligar ou enviar mensagem para o 988 a qualquer hora. Uma app de conversa é uma coisa querida para as tardes solitárias, e não é um substituto para ajuda profissional quando a sensação vai mais fundo do que a solidão.

Onde entra o Bubblic

O problema da maioria das formas de conhecer pessoas é que pressupõem uma agenda que você não tem. Não pode prometer estar em lado nenhum às sete, não pode arranjar-se e sair de casa por impulso, e a única janela de confiança que lhe calha, uma sesta, chega sem grande aviso e acaba da mesma maneira. É essa lacuna que uma conversa de voz curta pode preencher. O Bubblic liga-o a pessoas reais com quem falar, sem perfil para construir e sem ter de se arranjar, para que, quando uma sesta lhe dá de repente vinte minutos de sossego, os possa usar mesmo para uma conversa adulta a sério. Funciona entre fusos horários, o que significa que costuma haver alguém acordado e contente por conversar, quer o seu bocadinho de tempo livre calhe à 1 da tarde ou às 11 da noite. Não vai substituir um amigo próximo que more na mesma rua, e não finge que substitui. O que lhe dá é uma forma de atravessar as tardes sem cor em que só quer ouvir outro adulto e ser ouvido de volta.

Pode ter as mãos cheias e ainda assim querer mais companhia

Se os seus dias estão cheios de gente pequenina e mesmo assim se sente só, não há nada de errado consigo nem nada de errado no quanto os ama. Perdeu toda uma camada de contacto adulto quando ficou em casa, e essa camada não se reconstrói sozinha. Tem de ser enfiada de volta de propósito, um passeio aqui, uma chamada marcada ali, um grupo online a zumbir ao fundo, uma mensagem de voz escrita com uma só mão enquanto o bebé mama. Comece por uma pequena coisa esta semana e deixe a culpa sentada no canto a que pertence. Querer ser vista como pessoa, e não apenas como mãe ou pai, é uma necessidade normal, e tem todo o direito a ser satisfeita.

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Perguntas frequentes

Porque me sinto tão só quando passo o dia todo com os meus filhos?

Porque ser constantemente necessário não é a mesma coisa que estar ligado a alguém. Uma criança pequena dá-lhe companhia sem parar, mas não reciprocidade: não consegue perguntar como está, acompanhar os seus pensamentos nem encontrá-lo como igual. A conversa vai só num sentido e fica ao nível dela o dia inteiro. Entretanto, costuma ter perdido o contacto adulto casual que um emprego ou uma vida social mais cheia costumavam dar. Por isso acaba rodeado e ainda com fome do tipo de conversa que o trata como uma pessoa inteira. É uma experiência comum e bem documentada, não um sinal de que ama menos os seus filhos.

É errado sentir-me só quando escolhi ficar em casa?

Não. Pode ficar feliz por ser você quem está em casa, grato pela oportunidade, e ainda assim sentir-se só por falta de companhia adulta. Esses sentimentos convivem lado a lado sem se anularem um ao outro. A culpa que muitos pais e mães sentem aqui, a ideia de que não têm direito a sentir-se sós porque escolheram isto, costuma mantê-los calados, o que só aprofunda o isolamento. Querer uma conversa sobre outra coisa que não lanches e horas de sesta é uma necessidade humana normal, não ingratidão e não uma queixa contra os seus filhos. Dar-lhe um nome com honestidade é o que lhe permite começar a satisfazê-la.

Como arranjo tempo para ligação adulta com filhos pequenos?

Pense em pequeno e escolha coisas que se encaixem à volta das crianças em vez de exigirem uma pausa delas. Um passeio com outro pai ou mãe deixa-o conversar enquanto as crianças estão contidas nos carrinhos. Uma chamada semanal marcada tira a necessidade de combinar seja o que for. As mensagens de voz funcionam lindamente numa agenda imprevisível, já que você e um amigo as podem trocar sempre que cada um arranja um minuto livre. Os grupos online de pais mantêm um leve zumbido de companhia adulta, e uma conversa de voz curta encaixa bem numa janela de sesta. Não precisa de um grande bloco de tempo livre, apenas de alguns fios pequenos enfiados de volta.

Como distingo a solidão comum de algo mais pesado?

A solidão comum de quem fica em casa costuma aliviar quando arranja algum contacto adulto de verdade, e convive com dias que ainda guardam bons momentos. O esgotamento e as perturbações de humor no pós-parto vão mais fundo. Fique atento se a maioria dos dias parece sem cor ou sem esperança, se perde o prazer nas coisas de que gostava, se se sente distante dos seus filhos, ou se tem a sensação de que simplesmente não consegue dar conta. Esses são motivos para falar com o seu médico e não para esperar que passe. Se em algum momento a sensação parecer insuportável ou não quiser cá estar, por favor recorra a uma linha de apoio; nos Estados Unidos pode ligar ou enviar mensagem para o 988 a qualquer hora. É um passo sensato e comum, não um último recurso, e não substitui o acompanhamento profissional quando precisa dele.

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