Como Fazer Amigos com Outros Pais na Escola dos Filhos

Dois balões de fala, fazer amigos com outros pais da escola

Vê as mesmas caras duas vezes por dia. O pai que chega sempre um pouco atrasado, a mãe que gere o grupo da turma, o par que claramente já se conhece e fica junto ao portão a rir de qualquer coisa. Acena, sorri, diz algo sobre o tempo, e depois vai para casa. Passam-se semanas assim, e a certa altura cai-lhe a ficha de que gostava mesmo de conhecer estas pessoas. Não como o pai ou a mãe do colega do seu filho, mas como alguém com quem podia ir tomar um café, alguém cujo número tem por razões que nada têm a ver com uma garrafa de água esquecida.

Este guia é sobre isso. Os seus filhos andarem na mesma escola entrega-lhe uma coisa rara na vida adulta: um grupo de pessoas que vê com regularidade, de propósito, com um motivo à partida para falar. É um ótimo ponto de partida, e ao mesmo tempo parece estranhamente difícil de aproveitar. Vamos ver por que o portão da escola é um sítio tão bom e tão desconfortável para fazer amigos, como transformar todo aquele tempo de espera numa conversa a sério, e como fazê-la crescer até uma amizade que é sua e não apenas dos miúdos.

Por que o portão da escola é um sítio bom e desconfortável

Grande parte dos conselhos sobre fazer amigos em adulto resume-se a um problema difícil: é preciso continuar a ver as mesmas pessoas com frequência suficiente para uma amizade crescer, e a vida moderna raramente trata disso por si. A rotina da escola resolve-o sem que precise de fazer nada. Está no mesmo sítio, mais ou menos à mesma hora, com o mesmo conjunto de pais, cinco dias por semana durante anos. Esse tipo de contacto constante e repetido é precisamente o que transforma estranhos em caras conhecidas e caras conhecidas em amigos. Nem de propósito conseguiria montar melhor cenário.

Então por que soa tão rígido? Uma parte é que toda a gente anda com pressa. A entrada é uma correria de casacos e lancheiras com a campainha prestes a tocar, e a saída é um aperto de gente à procura do próprio filho. Sobra pouco ar nesses momentos para uma conversa como deve ser. Outra parte é que os grupos parecem muitas vezes já formados, os pais que se conheceram nos anos de bebé ou cujos filhos mais velhos passaram por ali juntos, e aproximar-se deles pode dar a sensação de entrar numa festa onde todos já conhecem o anfitrião. E há ainda a pura vulnerabilidade. Admitir que gostava de ter um amigo, em qualquer idade, é arriscar uma recusa educada à frente de uma multidão que vai voltar a ver amanhã.

Aqui vai a parte tranquilizadora. Uma boa fatia dos outros pais sente exatamente o mesmo. Estão ali parados a desejar que alguém lhes fale, a assumir em silêncio que todos os outros já têm a vida arrumada, e vão para casa um pouco mais sozinhos do que deixam transparecer. O desconforto é mútuo, o que significa que quem diz a primeira coisa simpática costuma encontrar alívio em vez de rejeição. Longe de se impor a um grupo já assente, quase sempre está a dar a outra pessoa a deixa que ela própria teve demasiada vergonha de dar.

Transformar a proximidade da saída numa conversa a sério

O que tranquiliza quem começa nervoso é que o portão da escola vem com deixas prontas sem fim. Nunca tem de inventar um motivo para falar, porque a situação lhe dá um todos os dias. O truque está em dizer a pequena coisa em voz alta em vez de apenas a pensar, e depois empurrar a troca um passo para lá da logística para que tenha para onde ir.

O passo que as pessoas saltam é a segunda conversa. Uma boa conversa junto ao portão é agradável e evapora-se na manhã seguinte se nada a fixar. Por isso, quando uma conversa corre bem, faça-a avançar um pequeno degrau antes de se despedirem. Diga que costuma estar na mesma esquina, portanto que fique atento. Melhor ainda, troquem números com um motivo concreto à mistura: «Trocamos números para combinarmos os miúdos brincarem um dia destes?» Isso dá a ambos um pretexto fácil e uma forma de se contactarem que não depende de voltar a apanhar a mesma janela de cinco minutos.

Aproveitar as estruturas que já existem

A escola dá-lhe muito mais do que um portão. À volta de cada turma existe uma teia de grupos, eventos e tarefas feita para juntar os pais, e cada um é uma porta de entrada com menos pressão do que uma conversa de circunstância a frio. Se começar do zero na saída parece demais, apoie-se antes nestes.

O grupo da turma costuma ser o primeiro. A maioria das turmas tem um grupo de WhatsApp ou uma conversa de mensagens para avisos, e é um sítio suave para passar a ser um nome que as pessoas reconhecem. Não precisa de o dominar. Responder a uma pergunta com jeito, oferecer um que tem a mais de qualquer coisa, ou ser quem diz «obrigado por organizares» torna-o familiar antes mesmo de ter falado pessoalmente, o que faz com que o olá presencial seja muito mais fácil mais tarde.

O voluntariado é a jogada mais forte de todas, porque troca estar perto das pessoas por fazer algo ao lado delas. Ajudar numa visita de estudo, tomar conta de uma banca na feira de verão, entrar na associação de pais, ou ler com um pequeno grupo põe-no ombro a ombro com outros pais durante um bom bocado e dá-lhe muito para falar que não é o tempo. Acaba conhecido por funcionários e pais por igual, e as amizades que saem do trabalho partilhado costumam ser mais resistentes do que as que se constroem numa conversa de passagem.

Depois há os próprios eventos sociais dos miúdos. A festa de anos de um colega em que os pais ficam são umas horas de companhia adulta à mão de semear; ronde a zona dos petiscos e cairá numa conversa sem esforço. Os convívios de turma, os cafés da manhã e as festas da escola são a mesma ideia. Quando o seu filho pede para ter um amigo em casa, a entrega e a recolha dessa brincadeira são uma ocasião natural para convidar o outro pai ou mãe a entrar para um chá em vez de o deixar à espera à porta. Cada uma destas é uma pequena desculpa para passar um pouco mais de tempo com alguém do que uma conversa de portão permite.

Fazer dela a sua amizade, não a dos miúdos

Há um teto que se atinge com as amizades de portão de escola, e vale a pena dar-lhe nome. Tanto do contacto se organiza à volta das crianças que a amizade pode ficar presa nesse nível, dois adultos que só alguma vez falam de professores, de trabalhos de casa e de quem empurrou o filho de quem. Essas ligações são genuinamente úteis, e numa semana difícil o pai ou a mãe que percebe o stress escolar exato que está a viver é uma tábua de salvação. Mas se cada uma das suas amizades vive inteiramente dentro da escola, uma parte de si fica por ver, a parte que tem opiniões, sentido de humor e uma vida inteira que começou muito antes da rotina escolar.

Passar desse teto exige um passo deliberado: ver o outro pai ou mãe sem as crianças por perto. Um café depois da entrada enquanto os miúdos estão na aula, um passeio, uma bebida a uma noite depois de terem trocado números. No momento em que passam tempo juntos sem gente pequena para arbitrar, a conversa deriva com naturalidade para quem cada um é de facto, o que faz, do que gosta, como era antes de tudo isto. É essa a passagem de «os nossos filhos são amigos» para uma amizade que é sua. O nosso guia sobre como transformar um conhecido em um amigo de verdade aprofunda esse salto, e encaixa quase na perfeição no conhecido de portão de escola que gostava de conhecer melhor.

Empurre pelo menos duas conversas para lá do guião de pais e em direção à pessoa. Pergunte o que ela fazia antes dos filhos, o que anda a ver, se é cá da zona. Fale de um livro, de uma banda, de uma série que lhe tem agarrado. Se encontrar terreno comum que nada tem a ver com a escola, tem a matéria-prima de uma amizade a sério em vez de uma aliança útil, e são essas que vão durar para lá dos anos em que os seus filhos calham partilhar uma sala de aula.

Se é tímido ou novo na escola

Entrar num recreio já estabelecido quando se é tímido, ou novo na zona, ou ambos, pode ser intimidante. Os grupos parecem selados, todos parecem ter a sua gente, e a ideia de se enfiar no meio é exaustiva antes mesmo de ter estacionado o carro. Seja gentil consigo aqui. Não tem de se tornar o pai mais barulhento do portão. Só precisa de umas quantas ligações calorosas, e essas constroem-se com gestos minúsculos e repetidos, mais do que com um salto corajoso.

Comece pela familiaridade antes da conversa. Apareça, esteja presente, faça um breve contacto de olhos, e ofereça um pequeno sorriso ou aceno às mesmas caras todos os dias. Só isso, ao longo de uma ou duas semanas, tira-o de estranho e faz dele um habitual reconhecido, e é muito mais fácil falar com um habitual reconhecido do que com um total desconhecido. Quando falar, aponte as primeiras tentativas aos pais que também estão à margem, o que está sozinho, o que também parece um pouco novo. Serão os mais gratos por uma palavra amiga e os menos capazes de o fazer sentir um intruso.

Ser novo é, discretamente, uma vantagem, por isso aproveite-a enquanto dura. «Acabámos de nos mudar para cá, esta escola é tão boa quanto parece?» é uma coisa perfeitamente natural de dizer e dá à outra pessoa uma tarefa fácil e lisonjeira: mostrar-lhe como as coisas funcionam. Em geral as pessoas gostam de ser o vizinho prestável. Se os grupos grandes o esgotam, salte-os e vá de um para um, que é onde os tímidos brilham de qualquer forma. E nos dias em que a bateria social está vazia, não faz mal só fazer o trajeto e ir para casa. A consistência ao longo de semanas conta muito mais do que estar em forma numa manhã qualquer. Para uma caixa de ferramentas mais ampla, como fazer amigas na vida adulta cobre muito terreno que se aplica bem para lá do recreio.

Onde entra o Bubblic

As amizades de escola têm um ritmo que joga contra manter o contacto. O período de aulas é uma névoa de clubes, trabalhos de casa e conversas a meio gritadas por cima de um parque de estacionamento, e depois as férias espalham toda a gente por planos diferentes e passam-se semanas sem uma palavra a sério. O pai ou a mãe simpático que estava agora a começar a conhecer pode voltar a cair em mero conhecido só porque o vosso único ponto de contacto era um portão em que já não estão os dois. O que mantém uma amizade nova quente através de tudo isso é um bocado de conversa a sério que não depende do calendário escolar.

É aí que uma chamada de voz rápida ganha o seu lugar. Um dez minutos de conversa enquanto cozinha ou conduz faz mais por uma amizade a nascer do que quinze dias de mensagens de grupo lidas a meio, porque ouvir a voz real de alguém é o que a faz parecer uma amiga e não um contacto. O Bubblic é construído em torno exatamente desse tipo de ligação falada de baixo esforço. Escolhe os seus interesses, é ligado a uma pessoa a sério que os partilha, e a primeira coisa que acontece é uma conversa de voz em vez de um perfil para percorrer. É uma forma suave de ganhar à-vontade a falar com gente nova por voz, e grátis para começar, por isso há conversa de adulto à mão nos dias em que o recreio não a tem. Se quiser continuar a construir o seu círculo, estes vão mais longe:

Comece com um pequeno gesto

Não precisa de fazer amizade com a turma inteira até sexta-feira. Escolha uma coisa que sirva para amanhã de manhã. Diga a pequena coisa em voz alta ao pai a quem acena sempre a meio, responda com jeito a algo no grupo da turma, ponha o seu nome para ajudar na próxima visita de estudo, ou troque números com a mãe cujo filho o seu filho não para de mencionar. A amizade de escola constrói-se com gestos pequenos, repetidos e um pouco desajeitados, e basta começar por um deles.

Os pais ali ao seu lado querem o mesmo que você, na maioria das vezes. Alguém tem de falar primeiro, e mais vale que seja você, porque o pior que pode acontecer é uma conversa agradável que não dá em nada e o melhor é um amigo para os próximos vários anos da sua vida.

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Perguntas frequentes

Como faço amigos com outros pais na escola?

Aproveite o contacto repetido que a escola já lhe dá e acrescente pequenos passos deliberados. Fique no mesmo sítio na saída para ver as mesmas caras todos os dias, diga a pequena coisa simpática em voz alta em vez de apenas a pensar, e use os miúdos como apresentação natural. Apoie-se também nas estruturas que já existem: seja prestável no grupo da turma, ofereça-se para uma visita de estudo ou para a associação de pais, e fique um bocado nas festas de anos e nos convívios da turma. Quando uma conversa corre bem, troque números com um motivo concreto à mistura, como combinar uma tarde de brincadeira, para ter uma forma de se contactarem que não depende de apanhar de novo a mesma janela de cinco minutos.

O que se diz aos outros pais junto ao portão da escola?

Mantenha as coisas fáceis e ligadas ao momento partilhado. Um comentário sobre o caos da manhã, o impresso confuso da visita de estudo ou o tempo não exige nada da outra pessoa e mostra que é simpático. Nomear a ligação pelos filhos funciona ainda melhor: «É a mãe da Amara, não é? A minha filha fala dela a toda a hora.» Uma pergunta leve, como se o filho anda no clube de fim de tarde, mantém a conversa a andar de um lado para o outro. Nunca tem de inventar um motivo para falar, porque a escola dá-lhe um todos os dias. O objetivo não passa por uma deixa brilhante; basta uma troca calorosa e sem pressão sobre a qual possa construir da próxima vez que se virem.

Como faço amigos entre os pais se sou tímido?

Comece pela familiaridade em vez da conversa. Apareça, faça um breve contacto de olhos, e ofereça um pequeno sorriso às mesmas caras todos os dias, o que discretamente o move de estranho a habitual reconhecido ao longo de uma ou duas semanas. Aponte as primeiras tentativas aos pais que também estão à margem, o que está sozinho ou o que também parece novo, já que serão os mais gratos por uma palavra amiga. Se os grupos grandes o esgotam, salte-os e vá de um para um, onde os tímidos costumam sair-se melhor. Ser novo é uma vantagem que vale a pena usar, porque pedir a alguém que lhe mostre como as coisas funcionam dá-lhe uma tarefa fácil e lisonjeira. A consistência ao longo de semanas conta muito mais do que estar em forma numa manhã qualquer.

Como transformo um conhecido da escola num amigo a sério?

O passo-chave é ver o outro pai ou mãe sem as crianças por perto. Depois de terem trocado números, sugira um café após a entrada enquanto os miúdos estão na aula, um passeio, ou uma bebida a uma noite. Sem gente pequena para arbitrar, a conversa deriva com naturalidade para quem ambos são de facto, que é a passagem de «os nossos filhos são amigos» para uma amizade que é sua. Empurre um par de conversas para lá dos professores e dos trabalhos de casa em direção à pessoa: o que ela fazia antes dos filhos, o que anda a ver, de onde é. Uma chamada de voz rápida entre o caos do período de aulas também ajuda, porque ouvir a voz real de alguém a mantém a parecer uma amiga e não só um contacto no telemóvel.

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