A Solidão da Geração Sanduíche: Cuidar dos Filhos e dos Pais ao Mesmo Tempo

Uma figura entre uma criança pequena e um pai idoso, a solidão da geração sanduíche

O telemóvel vibra antes de ter sequer acabado o café. É a farmácia por causa da receita da sua mãe, depois um aviso de que o seu filho precisa de uma autorização assinada para uma visita de estudo, e a seguir uma mensagem de trabalho que não pode ignorar. Quando finalmente se senta à noite, respondeu a toda a gente e não conversou com ninguém, pelo menos não sobre si. Se os seus dias parecem uma corrida de estafetas entre as pessoas que dependem de si, e se algures por baixo do cansaço existe uma dor caladinha que não teve um momento para nomear, está a viver a solidão da geração sanduíche.

É uma forma estranha de estar só, porque quase nunca está fisicamente sozinho. Há sempre gente em casa, há sempre alguém a chamar o seu nome. E ainda assim a dor é real, e tem uma forma que vale a pena compreender. Este texto percorre o que é de facto a geração sanduíche, por que ser preciso a tanta gente o pode deixar a sentir-se invisível, e algumas formas pequenas e realistas de guardar um bocadinho de ligação que pertence a si e a mais ninguém.

O que é a geração sanduíche

A geração sanduíche é o grupo de adultos, normalmente algures nos quarenta ou cinquenta anos, que cuidam dos próprios filhos e dos pais idosos ao mesmo tempo. É a camada do meio, apertada de ambos os lados. De um lado estão os filhos que ainda precisam de boleias, ajuda com os trabalhos de casa, apoio emocional e às vezes apoio financeiro até bem entrados os vinte anos. Do outro lado estão os pais cuja saúde vai declinando, cujas consultas se multiplicam, cuja independência vai encolhendo em silêncio de formas que lhe pedem mais a cada mês.

O que torna esta fase tão pesada é que os dois conjuntos de necessidades são legítimos e nenhum pode realmente esperar. Um adolescente a desfazer-se por causa de um exame e um pai que se esqueceu da medicação são ambos emergências para quem as vive, e é a si que se espera que segure as duas. Junte um emprego, um casamento ou uma relação que pede atenção, uma casa que fica sempre sem leite e sem roupa lavada, e a aritmética mental nunca para. Torna-se o gestor de projetos da família, o seu enfermeiro, o seu motorista e o seu amortecedor emocional, muitas vezes tudo numa só tarde.

Algures nessa aritmética, insinua-se uma perda mais silenciosa. A versão de si que tinha passatempos, opiniões sobre coisas que não fossem logística, amizades que corriam à base de piadas privadas em vez de favores, essa pessoa é arrumada para depois. E o depois continua a não chegar. Se algo disto lhe soa familiar, pode ajudar saber que o esforço de cuidar de alguém é uma fonte bem documentada de isolamento, algo que exploramos em A Solidão de Quem Cuida: Como Manter-se Ligado Enquanto Cuida de Alguém.

Por que estar rodeado de pessoas que precisam de si ainda parece solidão

Pode parecer quase embaraçoso admitir que se sente só quando a sua vida está tão cheia de gente. Certamente a solidão é para quem vive sozinho, para quem não tem ninguém a ligar? Mas a solidão nunca foi bem sobre o número de corpos na sala. É sobre se alguém o segura da forma como você segura toda a gente. E no meio do sanduíche, o trânsito corre quase todo num sentido.

Pense na natureza das interações que enchem o seu dia. O seu filho precisa de conforto, o seu pai precisa de cuidado, o seu chefe precisa de resultados. Em cada uma destas trocas é você quem dá, o firme, a pessoa que está bem para que outra não tenha de estar. São relações reais e cheias de amor, e mesmo assim raramente se viram para perguntar como está e depois esperam, esperam mesmo, por uma resposta honesta. Quando cada conversa é uma transação em que é você o fornecedor, pode andar a falar o dia inteiro e ainda sentir que ninguém está a olhar pela pessoa que faz todo o olhar.

Há também um luto tecido em tudo isto, e merece ser nomeado sem vergonha. Pode estar a chorar as amizades fáceis que já não tem tempo de manter. Pode estar a viver o luto de um pai enquanto ele ainda está vivo, a ver alguém que outrora olhou por si tornar-se alguém que precisa que olhem por ele. Pode sentir um lampejo de ressentimento perante a pura teimosia de tudo isto, depois sentir culpa pelo ressentimento, e depois sentir-se ainda mais só porque a quem raio poderia dizer isso? Tudo isto é normal. Sentir-se gasto e invisível não faz de si um ingrato nem uma má filha ou filho ou pai. Faz de si uma pessoa a carregar uma carga genuinamente pesada com mãos a menos. Muitos pais que ficam em casa descrevem uma sensação parecida de estar rodeado e ainda assim isolado, que analisamos em A Solidão de Ser Pai ou Mãe em Casa a Tempo Inteiro.

Guardar uma fatia de ligação que é sua

Quando se está tão esticado, o conselho corrente de investir nas amizades pode soar quase cruel. Não tem um serão livre para ir jantar com alguém, e organizar uma saída à noite pede uma energia que já gastou. Por isso o objetivo aqui é mais pequeno e mais indulgente. Não precisa de reconstruir uma vida social inteira este mês. Guardar um pequeno pedaço de ligação que existe para si, e não para alguém que precisa de algo de si, já chega.

Comece por reparar nos bocados de tempo que já tem mas que não pensa como seus: o regresso de carro depois de deixar a sua mãe na clínica, os dez minutos depois de os miúdos finalmente assentarem, a espera na fila da farmácia. Não é muito, mas é real, e são muitas vezes as únicas fatias do dia que não pertencem a mais ninguém. Uma chamada curta a um velho amigo durante uma dessas janelas pode fazer-lhe mais do que um serão inteiro que continua a falhar em marcar. A ligação não tem de ser longa para contar. Tem de ser genuína, e tem de ser sobre si por um momento.

Umas quantas formas suaves de agarrar essa fatia:

Se a sua agenda parece genuinamente impossível, não está a imaginar, e há saídas práticas em Como Fazer Amigos Quando Se Está Demasiado Ocupado para uma Vida Social.

Pedir e aceitar ajuda sem sentir que está a falhar

Para muita gente do meio, pedir ajuda parece uma confissão de que não consegue aguentar. Construiu uma identidade em volta de ser o fiável, a pessoa que resolve, e deixar que outro entre pode parecer entregar a prova da sua própria insuficiência. Por isso continua a dizer que está bem, continua a absorver mais, e continua a perguntar-se por que se sente tão só dentro de uma família cheia de pessoas que gostam de si.

Aqui vai uma forma mais gentil de o segurar. Recusar ajuda não protege ninguém de facto. Só garante que todo o peso fica sobre um par de ombros até esses ombros cederem, e quem cuida e chega ao esgotamento não ajuda ninguém. Deixar o seu irmão levar o seu pai a uma consulta por mês, deixar o seu companheiro tomar conta da hora de deitar duas vezes por semana, dizer que sim quando um amigo se oferece para trazer o jantar, nada disto são falhas. É assim que uma carga deste tamanho deve ser carregada, ou seja, por mais do que uma pessoa.

Seja específico quando pede, porque os pedidos vagos são fáceis de afastar com a mão e fáceis de nos deixar com culpa por os fazer. Em vez de esperar que alguém repare que se está a afogar, nomeie uma coisa concreta: podes ligar à mãe aos domingos, podes ir buscar os miúdos na quinta, podes ficar comigo uma hora para eu ir dar uma volta. As pessoas muitas vezes querem ajudar e simplesmente não sabem do que precisa, e um pedido claro deixa-as dizer que sim. Aceitar essa ajuda não o torna fraco. Significa garantir que ainda sobra um você para fazer o amar. Se é você quem sempre foi o resolvedor oficial da família, vale a pena compreender parte do que alimenta esse padrão, e há mais sobre isso nos textos ligados abaixo.

Onde entra o Bubblic

Alguns dos momentos mais solitários dos anos de sanduíche aterram nas brechas: o regresso a casa de carro, o sossego depois de todos finalmente adormecerem, os dez minutos roubados em que a casa fica quieta e percebe que não teve uma única conversa o dia inteiro que fosse só sua. É para esses momentos que o Bubblic foi feito. Liga-o a pessoas reais com quem falar, por voz, sem nada para marcar e sem perfil para manter. Não tem de organizar um encontro nem de arranjar quem fique com os miúdos nem de esperar por um serão livre que nunca chega. Abre-o num bocado de tempo à parte e está a falar com alguém que está mesmo a ouvir. Nunca vai substituir o amigo com quem se está devagar a reaproximar nem o irmão que aprende a partilhar a carga. Nos dias em que simplesmente não há espaço para nada de maior, significa que uma conversa a sério continua ao alcance, mesmo que só tenha dez minutos.

Também tem direito a ser cuidado

A solidão da geração sanduíche nada diz sobre estar a fazer as coisas mal. É o que acontece quando uma pessoa cuidadora e capaz passa anos a derramar cuidado em todas as direções e raramente chega a receber algum. Os filhos que precisam de si e os pais que precisam de si valem bem tudo o que lhes dá, e dar tudo isso não devia custar-lhe o seu próprio lugar no mundo. Guarde um pequeno fio de ligação que seja seu. Deixe alguém carregar um canto do peso. Permita-se estar ressentido e cansado e de luto sem decidir que isso faz de si uma má pessoa, porque não faz. Seja tão terno consigo como é com toda a gente por quem olha, e deixe uma conversa a sério encontrá-lo mesmo na mais pequena brecha do dia.

Baixar o Bubblic | Converse com pessoas do mundo todo

Perguntas frequentes

O que é a solidão da geração sanduíche?

A solidão da geração sanduíche é o isolamento sentido por adultos, muitas vezes nos quarenta ou cinquenta anos, que cuidam dos próprios filhos e dos pais idosos ao mesmo tempo. Apesar de estarem constantemente rodeados de gente, quase todas as interações correm num só sentido: são eles quem dá, o firme, a pessoa em quem todos se apoiam. Quando ninguém cuida de quem cuida, uma pessoa pode andar ocupada e ser precisa o dia inteiro e ainda sentir-se profundamente invisível. É uma resposta comum e compreensível a carregar uma carga muito pesada com apoio a menos.

Por que me sinto tão só quando cuido de toda a gente?

Porque a solidão é sobre se se sente amparado, não sobre quantas pessoas estão à sua volta. Quando é você em quem todos dependem, os seus dias enchem-se de conversas em que fornece conforto, cuidado e soluções, e muito poucas se viram para perguntar como está e esperar de verdade pela resposta. Pode falar o dia inteiro e ainda sentir que a pessoa que faz todo o cuidar está invisível. Esse sentimento não quer dizer que é ingrato ou que está a falhar. Quer dizer que as suas próprias necessidades têm andado por satisfazer enquanto satisfaz as de todos os outros, o que vale a pena mudar com calma.

Como é que quem cuida arranja tempo para as próprias amizades?

Tornando o objetivo pequeno e indulgente em vez de tentar reconstruir uma vida social inteira de uma vez. Procure bocados de tempo que já tem mas não conta, como o regresso de carro de uma consulta ou o sossego depois de os miúdos adormecerem, e use um deles para uma chamada curta ou uma mensagem de voz a um amigo. Mantenha pelo menos uma amizade em manutenção baixa para que sobreviva sem planeamento, deixe as conversas serem sobre outra coisa que não cuidar, e trate mesmo um contacto de três minutos como valioso. A ligação não precisa de ser longa para importar, só genuína e sobre si por um momento.

É normal sentir ressentimento como cuidador?

Sim, e é muito mais comum do que as pessoas admitem. Sentir um lampejo de ressentimento perante a teimosia de cuidar dos outros não faz de si uma má pessoa nem quer dizer que gosta menos deles. Muitos cuidadores carregam também luto, sobretudo quando a saúde de um pai está a declinar, e culpa pelo ressentimento por cima disso, o que pode aprofundar o isolamento porque parece impossível dizê-lo em voz alta. Estes sentimentos são uma resposta normal a uma situação exaustiva e não um defeito de carácter. Nomeá-los com honestidade, a um amigo de confiança ou numa conversa segura, costuma torná-los mais leves de carregar.

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